Extrema direita dos EUA questiona cidadania de Mamdani e pede sua deportação
- Feliciano
- 5 de nov. de 2025
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Steve Bannon pede investigação— 'e já' — sobre se prefeito eleito de NY é de fato americano, quando democrata é cidadão legal; em entrevista ao Politico, ideólogo também alerta para força renovada do populismo de esquerda

Mal se tornou prefeito eleito de Nova York e o democrata Zohran Mamdani já teve prova do chumbo grosso que enfrentará da extrema direita. Em extensa entrevista dada na madrugada desta quarta-feira ao site Politico, Steve Bannon afirmou que "a cidadania dele precisa ser questionada, e já". Mamdani vive nos Estados Unidos desde os sete anos, é filho de dois cidadãos naturalizados, célebres em suas áreas de atuação, e tem passaporte americano. Fake news.
"Isso deveria ser tratado já pelo Departamento de Estado, pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) e pelo Departamento de Justiça. Se o sujeito mentiu em seus documentos de naturalização, ele deveria ser imediatamente deportado do país e colocado em um avião para Uganda", afirmou Bannon.
O ataque abaixo da cintura lembra as acusações igualmente falsas feitas pelo então candidato Donald Trump, em 2015, ao presidente Barack Obama, natural de Honolulu, a capital do estado do Havaí. O republicano afirmava que o democrata estava constitucionalmente impedido de comandar o país por ser "estrangeiro". Mentira.
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Assim como o prefeito eleito de Nova York, o primeiro presidente negro dos EUA é filho de um acadêmico nascido fora do país. No caso de Obama, seu pai, o economista Barack Hussein Sr., é oriundo do Quênia. Já o cientista político e antropólogo Mahmood Mamdani, uma das estrelas da Universidade de Columbia, nasceu na Índia e viveu na Uganda, onde seu filho nasceu antes de a família migrar para os EUA.
Trumpismo sentiu o golpe
A repetição de estratégia também escancara o tamanho do susto causado por Mamdani na direita. Um dos principais nomes por trás da vitória de Trump em 2016, Bannon é o ideólogo central do crescimento da extrema direita — e não apenas nos EUA — nos últimos anos. Ele afirmou, na entrevista, ser um erro primário a reação de júbilo de boa parte do trumpismo após o resultado das eleições regionais desta terça-feira.
O primeiro socialista e muçulmano a comandar a maior metrópole do país não é, frisa Bannon, "o adversário que o Partido Republicano pediu a Deus". Ao contrário.
Bannon lê na vitória de Mamdani a confirmação de que a política atual é regida por forças populistas, tanto da direita quanto da esquerda.
— Os resultados desta terça-feira são um sinal claro de que as forças anti-establishment seguem dominantes, inclusive à esquerda.
Não escapa ao leitor que, ao contrário do ano passado, quando o democrata Joe Biden estava na Casa Branca, é agora a direita, — e de forma ainda mais explícita no Trump 2.0 — quem comanda o país. Ela se tornou o status quo a ser batido por insurgentes nas eleições de meio de mandato, ano que vem, quando o Congresso será renovado, e em 2028, na sucessão presidencial.
— Esta noite deveria servir de alerta para o movimento populista nacionalista liderado pelo presidente Trump — disse Bannon ao Politico. — Os vencedores são pessoas sérias que querem partir para a briga, seguir o jogo. Precisam ser tratados com seriedade.
Chamou a atenção de Bannon a capacidade de Mamdani — também detectada nas vitórias democratas das duas candidatas centristas aos governos de Nova Jersey e Virgínia — de cortejar eleitores que não comparecem amiúde nas urnas. Essa foi uma das estratégias centrais da campanha de Donald Trump no ano passado, enquanto a da ex-vice Kamala Harris, sua adversária, apostou tudo na ainda formidável máquina de militantes progressistas, que bateram em milhares de casas convencendo seus aliados a votar. Não bastou.
A vitoriosa campanha de Trump foi além do óbvio: investiu pesado nos que torcem o nariz para o jogo político tradicional. Os levou às urnas. Foi assim com os latinos de Trump em 2024 e, agora, os jovens de Mamdani em Nova York e os mesmos hispânicos, convencidos de terem comprado gato por lebre, em Nova Jersey e na Virginia.




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